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Toque brasileiro garante diversão do Fiat 500 Abarth

Antes de apresentar o esportivo Cinquecento Abarth à imprensa especializada, no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia (GO), na última semana, a Fiat fez uma já esperada introdução com dados técnicos, faixa de preços e, claro, um histórico da divisão de preparação que dá sobrenome ao pequenino. Pode-se dizer que o “foguete de bolso” que chega ao Brasil a partir de dezembro por R$ 79.300 tem ascendência italiana (a origem da marca) e até alemã (a performance de pista com tocada firme dada pela Abarth, empresa criada por um austríaco) apesar de ser importado do México (o carro que vem ao Brasil é feito na fábrica da Chrysler em Aguascalientes).

Só faltou revelar um detalhe: boa parte da diversão esperada desse esportivo é garantida por ajustes feitos de forma minuciosa, mas certamente bem-humorada, de um brasileiro, o curitibano Marco Diniz. O engenheiro é responsável pelos acertos dos carros de performance da Chrysler, conglomerado automotivo agora controlado pela Fiat. Foi dele, por exemplo, a palavra final para a pegada da atual geração do poderoso Dodge Viper, superesportivo americano que pode ter mais de 650 cv e 82 kgfm de torque.

Encontramos com Diniz por duas vezes, a primeira delas no Salão do Automóvel de São Paulo de 2012, justamente na apresentação do Viper ao público brasileiro (o cupê foi destaque do estande da Chrysler, mas nunca teve um plano de venda definido para o país). A oportunidade mais recente foi durante o “What’s New”, reunião anual na qual a empresa recebe a imprensa internacional para mostrar suas novidades. Nova chance de observar o Viper, finalmente experimentá-lo, mas chance também de colocar as mãos no 500 Abarth pela primeira vez.

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Sem heresia: claro que poderíamos tentar comparar a víbora que nomeia e simboliza o Dodge com o escorpião do Fiat mexido, mas ficaria por aí, já que não há relação direta possível entre as performances dos dois modelos. O Viper é arisco ao extremo e desafia a perícia do motorista/piloto a todo instante com a força descomunal de seu V10 jogada sobre as rodas traseiras — algo jamais presente no 500 Abarth e seu quatro-cilindros turbinado de 1,4 litro, com “apenas” 167 cv e 23,5 kgfm.

No caso do 500 Abarth, há a vontade de ser divertido e a precisão na condução. Para tanto, o DNA da Fiat sofreu modificações como uso do turbo, rebaixamento da suspensão, reforço dos freios e ampliação da aerodinâmica da carenagem. E estas modificações são fruto não apenas do histórico da Abarth, mas de um acerto de chassis e elementos dinâmicos pregados por Diniz. Apesar do nome Abarth remeter à empresa europeia que desde 1971 faz serviços exclusivos para a Fiat, na fase atual das marcas se vê bastante a mão da Chrysler.

Tal escolha vem justamente da vontade de alterar totalmente a imagem da Fiat nos Estados Unidos, deixando-a palatável ao público americano mais exigente (basta lembrar da já lendária brincadeira com a sigla da marca, que troca o original “Fabbrica Italiana Automobili Torino” por “Fix it again, Tony” — “Conserte de novo, Tony”).
A qualidade de equipamentos e o uso da tecnologia também demonstram esmero raro. O couro em bancos, volante e manopla do câmbio impressionam. O painel de instrumentos mudou do sem graça laranja “old school” para uma colorida tela de TFT, cujo uso pela Chrysler começou no Dodge Dart: com o toque em um botão (a tecla Sport), ela muda totalmente de aspecto, dando destaque ao conta-giros e instigando o condutor a pisar mais com a visão do pedal do acelerador. A firmeza de volante e pedais muda junto — o 500 Abarth é firme como nenhum outro modelo da marca, aliás.

Na pista e pisando fundo, fica evidente que os riscos pregados por Karl Abarth, austríaco que criou a preparadora disposto a conquistar recordes, podem dar lugar à pilotagem divertida e quase (quase) descompromissada por conta do trabalho pesado da tecnologia. Os comandos de estabilidade (ESC), tração (TCS) e de entrega de torque (TTC) mantém este 500 sob controle mesmo que você entre rápido demais na curva e a frente pareça pronta a jogar contra o patrimônio. Com eles, é possível ainda — por alguns instantes, claro, achar que se está a bordo de um carro de tração traseira. É possível ainda desativar tudo e segurar o ímpeto do Cinquecento no braço, algo que quase ninguém fará.

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A maioria vai preferir aproveitar mimos como o sistema (opcional) de som da badalada grife Beats by Dr. Dre, famosa entre jovens que se ligam na música pop americana atual e por patrocinar oito de dez esportistas atuais (de Neymar, do Barcelona e da seleção brasileira, a LeBron James, da NBA). Quem preferir desligá-lo e abrir a janela poderá curtir outra curiosidade: como o sistema de escapamento sempre foi uma das paixões de Abarth, a montadora resolveu fazer uma graça também no 500 preparado e dotá-lo de um recurso que reproduz o “pipoco” de refluxo de combustível em reduzidas. Acredite: isso vai render, no mínimo, boas risadas.

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